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Sobre o Repositório Histórico de Lisboa e Grande Estremadura
Repositório Histórico
A História, na sua definição clássica, é a «ciência ou disciplina que estuda factos passados». Contudo, para quem a escreve e investiga, ela é muito mais do que uma simples narração de acontecimentos antigos. O historiador não se limita a registar e analisar o que aconteceu: procura também compreender de que forma esses factos moldam o presente, como se projetam na identidade das comunidades e como se inscrevem na memória coletiva. Essa presença manifesta-se nos monumentos e edifícios que resistem ao tempo, nos lugares que preservam marcas de vivências passadas ou até na toponímia que dá nome às ruas, vilas e cidades. Cada um desses elementos é, em si, um elo que liga o nosso quotidiano às gerações que nos antecederam.
Entre os instrumentos que permitem restabelecer este diálogo entre passado e presente, o documento histórico ocupa um lugar central. Antigas cartas régias, registos paroquiais, escrituras notariais, plantas de quintas e morgadios, mapas, fotografias, diários pessoais ou atas de instituições são testemunhos que permitem reconstituir épocas, compreender mentalidades e acompanhar a evolução das terras e das gentes da cidade de Lisboa e da vasta região que a envolve.
A Grande Estremadura: território e identidade
A Grande Estremadura é uma região do Centro Litoral de Portugal que abrange, grosso modo, o território das antigas províncias da Estremadura e do Ribatejo, além de parcelas do litoral beirão e do litoral alentejano. Trata-se de uma região com uma história comum, centrada sobretudo na ação dinamizadora da cidade de Lisboa e do seu entorno periurbano, mas também de núcleos urbanos regionais como Santarém, Setúbal, Torres Vedras, Leiria, Tomar e Abrantes.
A paisagem caracteriza-se pela planície atlântica e pela bacia do Baixo Tejo, pontuada pelos maciços das Serras de Sintra e da Arrábida, bem como pela extremidade sul do sistema Montejunto-Estrela, que separa a Estremadura do Ribatejo. Influenciada pelo Atlântico, a região apresenta clima temperado: verões frescos, invernos suaves e solos diversos, arenosos a sul e argilo-calcários a norte. Esta combinação tornou-a fértil para o cultivo da vinha, do pomar, do olival e do montado, mas também para uma intensa horticultura. A «zona saloia», a norte e a sul do estuário do Tejo, constituiu desde cedo o principal celeiro hortícola da capital.
Em termos geológicos, predominam os calcários, que marcaram profundamente a arquitetura tradicional, fornecendo a pedra nobre das casas, igrejas e conventos. O património rural é igualmente notável, pela profusão de quintas muradas, muitas com capelas e casas nobres, testemunho de uma pequena elite que, sobretudo desde a Época da Expansão, se estabeleceu nos arredores de Lisboa, deixando marcas na paisagem.
Os grandes domínios senhoriais da região estiveram sobretudo ligados à Coroa e às instituições régias: a Casa das Rainhas (Sintra, Óbidos, Alenquer, Torres Vedras), a Casa de Bragança e depois o Infantado (Porto de Mós, Torres Novas), e ainda as Ordens de Cristo (no Médio Tejo) e de Santiago (na Península de Setúbal e litoral alentejano). Fora da esfera régia, destacava-se o poder senhorial de conventos como Alcobaça, cujas terras marcaram o limite setentrional da região, bem como de casas conventuais lisboetas como São Vicente de Fora, São Domingos, Chelas ou Santos, que ao longo dos séculos receberam propriedades que se converteram em quintas e aldeias, moldando a vida regional.
Lisboa e a sua centralidade
Lisboa, pela sua importância económica, política, social e cultural, atraiu ao longo da sua longa história gentes de diversas origens que aqui chegavam por terra e por mar, ao extremo ocidental da Europa. A sua centralidade marcou não apenas a administração e o comércio, mas também a identidade cultural e patrimonial de toda a Grande Estremadura.
A História desta região conta-se através de vestígios e testemunhos: gravados na pedra e no traçado urbano, registados em documentos ou preservados em tradições orais. Muitos chegaram até nós de forma fragmentada, exigindo paciência e rigor na sua interpretação. É esse «largo tempo antigo», por vezes tão distante que a memória humana já não o alcança, que procuramos reencontrar.
Finalidade do Repositório
O Repositório Histórico de Lisboa e da Grande Estremadura não pretende ser apenas um arquivo estático. É pensado como um espaço vivo de partilha de conhecimento, onde investigadores, professores, estudantes e a população em geral possam encontrar informação fidedigna, documentos raros e testemunhos da memória coletiva. O objetivo é estimular o interesse pela história regional, reforçar a consciência patrimonial e incentivar a preservação e valorização da herança cultural de Lisboa e da sua Grande Estremadura.
Imagens:
«Mapa
do Patriarcado de Portugal», in CARPINETTI, João Silvério, Mappas das
provincias de Portugal novamente abertos, e estampados em Lisboa,... /
offerecidos ao illustrissimo e excellentissimo Senhor Marquez de Pombal
[...] por Joäo Silvério Carpinetti Lisbonense. - Escalas [ca 1:660000] -
[ca 1:1300000]. - Lisboa : Francisco Manoel Pires, [1769 - 1779].
Fonte: https://purl.pt/16668
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